quinta-feira, dezembro 26, 2019

sexta-feira, novembro 22, 2019

Matrafona


Safira






















terça-feira, dezembro 26, 2017

BOLEIA


ARE YOU TALKING TO ME?











Atura-te a ti mesmo


"Conhece-te a ti mesmo", diziam os gregos. "Ama-te a ti mesmo", recomendam os actuais gurus da auto-ajuda. São dois conselhos incompatíveis, pelo menos no meu caso. Ou bem que me conheço, ou bem que me amo.

RICARDO ARAÚJO PEREIRA
"Conhece-te a ti mesmo", diziam os gregos. "Ama-te a ti mesmo", recomendam os actuais gurus da auto-ajuda. São dois conselhos incompatíveis, pelo menos no meu caso. Ou bem que me conheço, ou bem que me amo. Considerar ambas as sugestões ao mesmo tempo é impossível, e escolher apenas uma é inútil: a primeira tarefa é desinteressante e a segunda é imoral. Posto isto, tenho optado por andar a conhecer (e, inevitavelmente, a amar) os actuais gurus da auto-ajuda. Aprendi três conceitos fundamentais: devo acreditar em mim, não desistir dos meus sonhos, e pensar positivo. Até aqui, a minha vida era orientada por três princípios bastante diferentes: desconfia de ti, deixa-te de sonhos, uma vez que não és a Cinderela, e pensa. Estava tudo errado. Pensar não me permitia pensar positivo. Punha-me a pensar (creio que de forma neutra) e concluía que o pensamento positivo, isto é, a ideia segundo a qual nos acontecem coisas boas se pensarmos em coisas boas, era ridícula. A minha experiência pessoal também não ajudava, na medida em que eu tinha passado toda a adolescência a pensar em coisas boas (seios, sobretudo) e não me tinham acontecido coisas boas (seios, por exemplo, nunca). Também não me dedicava a sonhar, porque imaginava que a minha vida não tinha sido desenhada por Walt Disney. Claro que houve momentos, durante a infância, em que fantasiei com o meu futuro, mas essas fantasias não se concretizaram, e é por isso que hoje não sou um cardiologista que cura pessoas durante o dia, combate o crime durante a noite e joga na equipa principal do Benfica ao fim-de-semana. Por fim, estava habituado a desconfiar de mim. Por azar, nasci sem saber fazer nada, e por isso desenvolvi uma suspeita muito forte de que não conseguia fazer nada. Essa suspeita levava-me a tentar preparar-me, para aprender. Tivesse eu sabido mais cedo que me bastava sonhar, acreditar e pensar nas coisas certas, e a esta hora estaria a beijar uma princesa adormecida há muito tempo, e a viver feliz para sempre. Um dos aspectos que mais me aproxima dos novos gurus é o amor pela linguagem. Vê-se que não estudaram etimologia, mas acreditam, sonham, e pensam positivo sobre todas as partes da gramática. Um dos pregadores da Igreja Universal do Reino do Empreendedorismo tinha dito que a palavra "empreendedor" acabava em "dor" porque ser empreendedor era muito doloroso. Essa observação fez-me ganhar um novo respeito pelo espanador e mesmo pelo esquentador, que partilham aquela terminação, e são objectos cujo sofrimento eu desconhecia. Um outro teórico disse há dias que a nossa mente se chama mente porque nos mente todos os dias. Suponho que, em inglês, a mente se chame "mind" porque a mente dos ingleses não é aldrabona. Má sorte ter nascido português. O mesmo filósofo disse ainda que, se dividirmos ao meio a palavra "presente", temos "pré-sente", porque o presente é uma altura em que não estamos ainda a sentir teoria que ele postula num livro a que, sem receio de cacofonias, chamou "Agarra o agora". E acrescentou que é impossível pensar e sentir ao mesmo tempo. São óptimas notícias para as vítimas de tortura. Basta que comecem a pensar e deixarão de sentir. Desde que não se esqueçam de pensar positivo."

Tia Idalina


O artista Shawn Cross ilustrou uma série de distúrbios mentais, como depressão, transtorno bipolar e transtorno de ansiedade social. Os desenhos, além de chocantes, fazem um alerta para que as pessoas se atentem à gravidade desses distúrbios, enfrentados por milhões de pessoas em todo o mundo








Herman José - Jose Severino "Eu é mais bolos"


NÃO MATEM A NOSSA CRIATIVIDADE!!!




REDES SOCIAIS ANTIGAS


Policiamento de Logradouros Públicos e Zonas Florestais (1953)



sábado, outubro 28, 2017

Estou Cansado



Estou Cansado
Estou cansado, é claro, 
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. 
De que estou cansado, não sei: 
De nada me serviria sabê-lo, 
Pois o cansaço fica na mesma. 
A ferida dói como dói 
E não em função da causa que a produziu. 
Sim, estou cansado, 
E um pouco sorridente 
De o cansaço ser só isto — 
Uma vontade de sono no corpo, 
Um desejo de não pensar na alma, 
E por cima de tudo uma transparência lúcida 
Do entendimento retrospectivo... 
E a luxúria única de não ter já esperanças? 
Sou inteligente; eis tudo. 
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, 
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, 
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa. 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 

"Eu é mais bolos!"

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sexta-feira, julho 28, 2017