sexta-feira, dezembro 20, 2013

TREPADAS TRANSIBéRICAS INTELECTUAIS





e ontem tava louca
bebi uma garrafa de vodka e escrevi nas paredes SEI LÀ
com lápis dos olhos
hahaahahahahahahah

aonde escreveste?
na parede do meu quarto
por cima da cama

hahahahaha
escreva sobre camões!
sobre a cara de camões
e o indiano doido a tentar parar me
hahahahahahahahah
e dp escrevi mto mias
na outra parede
I love to:
fuck (good fuck, please)
read books
cook
seaing movies
write
take pictures
travel
meet people
love and be loved
and ironic sence of humor
hahhahahahahahahhahahahahaah
e o indiano a flipara
hahahahhahahahaha
ele q só queria uma trepada
e leva com esta doida
hahahahahahahah
hahahahahahaa
hahahahahahah
e ainda escrevi 70% de um lado
que barbbaridade!
e 30% do outro
mas já n melembro o q era
hAHAHAHAHAHHAHAHAH
Q LINDA BARBARIDADEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

a vida é uma barbaridade!
PRECISAMENTE MY DEAR FRIEND
MAS IMAGINA EU LOUCA A ESCREVER E A FALAR O INDIANO
ISTO DAVA UMA CURTA
O INDIANO A OLHAR
AAHHAHAHAHAHAAHAHH
GANHAVA OSCAR
DAS CURTAS EM HOLLYHOOD
hahahahahaha

seguramente... e se ele voltar já ganhaste um fã!
ELE DIZ Q VOLTA
MAS N SERÁ PELA MINHA INteligencia ou pelo meus ditos
hahahahahaahah
tu si , serás meu fâ






quinta-feira, outubro 31, 2013

quarta-feira, outubro 30, 2013

O APÓSTROFO


ACTUALIDADE


LOUUUU

Compositor, cantor, guitarrista, líder dos Velvet Underground, Lou Reed, um dos mais inventivos e influentes criadores da música popular americana da segunda metade do século XX, morreu este domingo aos 71 anos em Long Island, Nova Iorque. As causas da morte ainda não foram divulgadas, mas é provável que não sejam alheias ao transplante de fígado a que o músico nova-iorquino se submeteu em Maio.
Os últimos 50 anos de música rock seriam algo bastante diferente sem ele, algo que só poderia dizer-se com idêntica propriedade de um conjunto muito restrito de músicos. No final dos anos 1960, com os Velvet Underground, Lou Reed, diz o seu obituário na revista Rolling Stone, “casou beleza e barulho, ao mesmo tempo que trazia toda uma nova honestidade lírica ao rock’n roll”.
Nascido em Brooklyn em 1942, Reed começou a compor canções no final do liceu, mas o percurso que o tornaria um ícone do rock só se inicia verdadeiramente quando conhece John Cale, um músico de formação clássica, natural do País de Gales, que chegara a Nova Iorque em 1963. Com Cale, Lou Reed funda a banda The Primitives, que tem algum sucesso em 1964 com o tema The Ostrich, uma paródia à música de dança.
Os The Primitives são depois rebaptizados The Warlocks. E quando se juntam ao grupo o guitarrista Sterling Morrison e o percussionista Angus Maclise, nasceu não apenas uma nova banda, mas, na opinião de alguns críticos, a melhor banda de rock de todos os tempos: os Velvet Underground. O grupo não teve grande sucesso comercial nos anos 1960, mas alguém já observou que muitos dos jovens que ouviram o seu álbum de estreia, em 1967, The Velvet Underground & Nico, correram a criar as suas próprias bandas.
Quase não há um tema nesse primeiro álbum, produzido por Andy Warhol, que não seja hoje um clássico da música pop, de I’m waiting for the man e Venus in furs a All tomorrow’s parties ou aos sete minutos de Heroin. O grupo durou pouco (Cale saiu logo em 1968), mas a sua influência perdura até hoje.
Com o fim dos Velvet em 1970, Reed parte para o Reino Unido, onde grava um disco com músicos dos Yes. Mas é com o disco seguinte, Transformer, produzido por David Bowie, que se torna uma estrela incontestável do firmamento rock. O tema Walk on the wild side torna-se um sucesso, mas o disco inclui outras canções justamente célebres, como Perfect day ou Vicious.



A MINHA HOMENAGEM AO LOU REED








ONDA GIGANTE PRAIA DO NORTE - NAZARÉ

sábado, setembro 07, 2013

SLANG


RA



ESCOLHAS


CMP


quinta-feira, setembro 05, 2013

sexy


XI-XI


CLASS


domingo, agosto 25, 2013

sábado, agosto 24, 2013

Janis Joplin - A Woman Left Lonely

FUNNY HOUSE! AHAHAH

A guerra foi estabelecida na casa do Cais do Sodré. Em quartos alugados por um senhorio, de seu nome Carlos, resido eu (Célia João), um peruano, e dois polacos (suspeitamente gays).
Ontem, quando me levantei, vejo este "cartaz" colado na casa de banho dos rapazes:



Saí á rua. 
E, quando volto, vejo outro "cartaz", como resposta ao primeiro.




(o peruano escreveu o primeiro recado, o segundo, foi resposta dos polacos!)

Não Me Quebro À Toa - Luiz Melodia

DIZIAM OS ROMANOS DOS LUSITANOS: "ESTE POVO NEM SE GOVERNA, NEM SE DEIXA GOVERNAR"


FAÇAM O FAVOR


sexta-feira, agosto 23, 2013

domingo, julho 28, 2013

Dia Internacional das Prostitutas


O Ministério da Saúde brasileiro mandou retirar uma campanha que instava as prostitutas a usarem preservativo, depois de fortes protestos da oposição e de meios mais conservadores.
Eu sou feliz sendo prostituta era o lema da campanha lançada na Internet no Dia Internacional das Prostitutas, celebrado a 2 de Junho, e visava, além de incentivar o uso de preservativo, levar as profissionais do sexo a não terem vergonha de procurar tratamento médico para doenças transmitidas sexualmente.
Colocada na página online do Ministério da Saúde e nas redes sociais, a campanha foi imediatamente alvo de duras críticas. “Estamos a lutar contra a prostituição infantil e surge uma campanha que a incentiva”, afirmou a deputada federal Liliam Sá numa reunião parlamentar.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, uma estrela em ascensão no Partido dos Trabalhadores e que é apontado como possível candidato a governador de São Paulo, assegurou através da rede social Twitter que a campanha tinha sido lançada sem o seu consentimento. Padilha acrescentou que a decisão de retirar a campanha nada tinha a ver com as críticas de que foi alvo. Entretanto, o jornal brasileiro O Globo revelou nesta quarta-feira que Alexandre Padilha demitiu o director do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida e Hepatites Virais do ministério, Dirceu Greco. 

segunda-feira, julho 15, 2013

quinta-feira, julho 04, 2013

terça-feira, maio 07, 2013

CARTA AOS 19% - Ricardo Araújo Pereira

 
 




 Caro desempregado,
Em nome de Portugal, gostaria de agradecer o teu contributo para o sucesso económico do nosso país.... Portugal tem tido um desempenho exemplar, e o ajustamento está a ser muito bem-sucedido, o que não seria possível sem a tua presença permanente na fila para o centro de emprego. Está a ser feito um enorme esforço para que Portugal recupere a confiança dos mercados e, pelos vistos, os mercados só confiam em Portugal se tu não puderes trabalhar. O teu desemprego, embora possa ser ligeiramente desagradável para ti, é medicinal para a nossa economia. Os investidores não apostam no nosso país se souberem que tu arranjaste emprego. Preferem emprestar dinheiro a pessoas desempregadas.
Antigamente, estávamos todos a viver acima das nossas possibilidades. Agora estamos só a viver, o que aparentemente continua a estar acima das nossas possibilidades. Começamos a perceber que as nossas necessidades estão acima das nossas possibilidades. A tua necessidade de arranjar um emprego está muito acima das tuas possibilidades. É possível que a tua necessidade de comer também esteja. Tens de pagar impostos acima das tuas possibilidades para poderes viver abaixo das tuas necessidades. Viver mal é caríssimo.
Não estás sozinho. O governo prepara-se para propor rescisões amigáveis a milhares de funcionários públicos. Vais ter companhia. Segundo o primeiro-ministro, as rescisões não são despedimentos, são janelas de oportunidade. O melhor é agasalhares-te bem, porque o governo tem aberto tantas janelas de oportunidade que se torna difícil evitar as correntes de ar de oportunidade. Há quem sinta a tentação de se abeirar de uma destas janelas de oportunidade e de se atirar cá para baixo. É mal pensado. Temos uma dívida enorme para pagar, e a melhor maneira de conseguir pagá-la é impedir que um quinto dos trabalhadores possa produzir. Aceita a tua função neste processo e não esperneies.
Tem calma. E não te preocupes. O teu desemprego está dentro das previsões do governo. Que diabo, isso tem de te tranquilizar de algum modo. Felizmente, a tua miséria não apanhou ninguém de surpresa, o que é excelente. A miséria previsível é a preferida de toda a gente. Repara como o governo te preparou para a crise. Se acontecer a Portugal o mesmo que ao Chipre, é deixá-los ir à tua conta bancária confiscar uma parcela dos teus depósitos. Já não tens lá nada para ser confiscado. Podes ficar tranquilo. E não tens nada que agradecer.

segunda-feira, maio 06, 2013

como estamos

 

 

 

 


Homens preferem mulheres que foram rejeitadas por outros

 
 



Mulheres: se foi o seu namorado (ou marido) que terminou consigo e não o contrário, anime-se: será mais fácil  arranjar um substituto! Segundo um estudo, os homens preferem mulheres que foram rejeitadas por outro(s).
De acordo com a pesquisa, saber que a sua pretendente deu um fora no ex-namorado deixa os homens mais nervosos. Já no caso das mulheres, elas preferem aqueles que deixaram as namoradas e não os que foram “deixados”.
A autora do estudo, Christine Stanik, da Universidade de Michigan, acredita que as mulheres sentem um certo “status social” quando ficam com um homem que terminou o relacionamento anterior, já que ele estaria à procura de alguém melhor (e ela seria, potencialmente, esse alguém melhor).
Para conseguir os resultados Stanik pediu que voluntários visitassem um site falso de relacionamentos, criado apenas para a pesquisa, e apontassem as pessoas que mais combinavam com eles, de acordo com a informação que os “utilizadores” tinham no seu perfil. Nos perfis havia várias informações, desde cor favorita, sabor de gelado preferido e até a causa do fim do relacionamento anterior.
Quase 200 pessoas fizeram o teste, que indicou que as mulheres achavam  mais atraente os homens que haviam dispensado as suas ex-namoradas, enquanto o contrário funcionava para eles.
Segundo Stanik, ainda há outro possível motivo para o resultado da pesquisa: por uma certa “tradição” social, espera-se que o homem seja a figura dominante do relacionamento, então tanto homens quanto mulheres inconscientemente desaprovam quando são elas que terminam o relacionamento passado.

sábado, maio 04, 2013

sexta-feira, abril 12, 2013

Homem é hospitalizado após inserir enguia viva no ânus


Um morador da província de Guangdong (na China) foi parar ao hospital após inserir no ânus uma enguia viva! De acordo com o “Sun“, o sujeito decidiu realizar a experiência após ver uma cena semelhante em um filme pornográfico.
A enguia entrou pelo recto, perfurou o intestino grosso e alojou-se numa cavidade entre a pele e o tubo digestivo.
Para a retirada da enguia de 47 centímetros, os médicos realizaram uma longa cirurgia, que demorou quase toda a noite.
A enguia acabou por morrer. Já o chinês está a recuperar, mas deverá ser acusado de crueldade contra animal.

terça-feira, abril 09, 2013

Modelo exige contrato pré-nupcial garantindo sexo 3 vezes por semana




A modelo Joanna Krupa, polaca, de 33 anos, terá exigido um contrato pré-nupcial ao seu futuro marido. Ela quer que o seu namorado, Romain Zago, assine um acordo pré-nupcial onde garante que irá fazer, com ela, sexo três vezes por semana, pelo menos.
O caso foi revelado pelo próprio namorado. Zago disse que Joanna é uma máquina de fazer sexo e tem um desejo enorme. “Ela quer que o nosso contrato pré-nupcial tenha uma cláusula afirmando que faremos sexo três vezes por semana”, contou Zago.
Zago (que é proprietário de uma discoteca) e Krupa estão juntos há 6 anos e o próprio admite que ” não vou mentir e dizer que temos sexo todos os dias. 
Eu trabalho muito, ela trabalha muito, ela está sempre a viajar”. Adianta ainda: ”Não há casal que tem uma vida sexual perfeita depois de tantos anos”

Tabacaria



"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu. "

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa